Há momentos em que o silêncio seria mais confortável. Este não é um deles.
A nota divulgada pela Polícia Militar da Bahia, ao classificar como “fake news” uma reportagem do Informe Baiano sobre a morte do sargento Romão, não atinge apenas um veículo de comunicação. Atinge o próprio exercício do jornalismo e o direito da sociedade à informação.
É grave. E precisa ser dito com todas as letras.
O Informe Baiano não inventa histórias. Não trabalha com achismo. Não faz militância. Faz jornalismo. E jornalismo, por definição, incomoda, especialmente quando revela bastidores que nem sempre aparecem nas versões oficiais.
A reportagem em questão foi construída com base em relatos consistentes de fontes que acompanharam, em tempo real, o drama vivido pelo sargento Romão. Um policial, diga-se, que merece todo respeito, assim como sua família, seus colegas de farda e sua história.
Aliás, é exatamente por respeito à memória dele que o caso precisa ser tratado com transparência. E não com tentativa de desqualificação da imprensa.
A própria nota da corporação confirma um ponto central: não houve transferência aérea. A justificativa apresentada foi técnica. Legítima? Pode ser. Mas isso não apaga o fato de que houve espera, houve expectativa e houve um desfecho trágico.
E é papel do jornalismo mostrar isso.
Chamar esse trabalho de “fake news” é, no mínimo, uma tentativa equivocada de transferir o debate. No pior cenário, é uma tentativa de intimidar e desacreditar quem informa.
A Polícia Militar da Bahia é uma instituição bicentenária, respeitada, construída por homens e mulheres sérios. Mas instituições não são imunes a críticas. Nem devem ser.
Quando uma corporação parte para o ataque contra a imprensa, o sinal de alerta é inevitável. Porque hoje é um site. Amanhã pode ser qualquer voz que ouse questionar.
O Informe Baiano não vai recuar. Não vai se intimidar. E não vai abrir mão do seu papel.
Seguiremos apurando, ouvindo, publicando. Sempre com responsabilidade, como sempre fizemos.
E mais: seguiremos dando espaço para todos os lados, inclusive para a própria Polícia Militar, como manda o bom jornalismo.
Mas uma coisa precisa ficar transparente: relatar fatos não é fake news. Questionar não é desrespeito. E informar nunca será crime.
No fim das contas, o que está em jogo não é apenas uma reportagem. É o direito da sociedade de saber.
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