Em 4 de outubro, os baianos vão eleger 63 deputados estaduais. Assim como em 2022, o cenário é de polarização, tanto no plano estadual quanto nacional.
Na disputa pelo governo, o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) tentará a reeleição diante do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), derrotado no segundo turno do último pleito.
No primeiro turno de 2022, Jerônimo obteve 49% dos votos válidos e ajudou a eleger 32 deputados estaduais. Já ACM Neto teve 40% e garantiu 26 cadeiras na Assembleia Legislativa. João Roma, com 9%, foi decisivo para a eleição de quatro deputados. O PSOL, com Kleber Rosa, mesmo com menos de 1%, conquistou uma vaga.
O resultado das urnas mostrou que a eleição proporcional seguiu o desempenho da disputa ao governo. A Esquerda (Jerônimo e Kleber Rosa) somou 33 cadeiras, enquanto a oposição (ACM Neto e João Roma) ficou com 30.
Esse desempenho foi influenciado pelo cenário da época. O então governador Rui Costa (PT) tinha mais de 75% de aprovação e não havia um sentimento de mudança no estado. Ao contrário, pesquisas indicavam desejo de continuidade.
Além da força da máquina pública, o chamado “efeito Lula” também impactou o resultado. Deputados de esquerda registraram votações acima do esperado. Há relatos de lideranças que tradicionalmente transferiam cerca de 300 votos e passaram a ter mais de mil.
HISTÓRICO
O histórico eleitoral da Bahia mostra que há, quase sempre, equilíbrio entre governo e oposição:
– 2006: o então governador Paulo Souto elegeu 33 deputados, enquanto Jaques Wagner, que foi eleito, fez 30.
– 2010: Wagner garantiu 35 contra 29 de Souto e Geddel.
• 2014: Rui Costa fez 35 contra 29 de Souto.
• 2018: Rui alcançou 42 cadeiras, enquanto Zé Ronaldo garantiu 21. Naquele ano, o candidato da oposição teve apenas 22% dos votos.
• 2022: o placar foi de 33 a 30.
PARALELO COM 2006
A eleição de 2026, duas décadas depois de 2006, considerado o ano da mudança, apresenta algumas semelhanças. Naquele momento, nomes pouco conhecidos surpreenderam, como Valmir Assunção, Getúlio, Fátima Nunes e Euclides Fernandes. Há sinais de que o voto ideológico e o desejo de mudança podem voltar a influenciar o resultado.
PROBLEMA NAS CHAPAS
A estratégia do governo de montar oito chapas proporcionais não se consolidou. Partidos como PSB e Podemos foram esvaziados. Já PRD e Solidariedade acabaram integrados ao PDT. O resultado foi a concentração de vários candidatos competitivos em um mesmo grupo.
FEDERAÇÃO DA ESQUERDA
A federação Brasil da Esperança passou a concentrar nomes como Eduardo Salles, Angelo Almeida, Fabíola Mansur e Antônio Henrique Júnior, ao mesmo tempo em que perdeu quadros como Olívia Santana, Ricardo Machado, Alan Castro e Ellen Carvalho, além de diversos outros nomes. A projeção de 300 mil votos de legenda feita por caciques é vista com ceticismo e piada pronta. O cenário mais otimista revela 15 cadeiras.
PSD PODE PERDER ESPAÇO
O PSD perdeu cerca de 474 mil votos em relação à última eleição. Não vai ter candidato na chapa majoritária e com isso reduz cerca de 240 mil votos de legenda. Perdeu ainda três parlamentares com votação robusta: Eures Ribeiro, Angelo Filho e Cafu Barreto.
Mesmo com novos nomes, a exemplo de Niltinho e Ludmila Fiscina e Andrea Castro, o saldo ainda é negativo em aproximadamente 124 mil votos. A projeção é de uma bancada entre oito a nove deputados estaduais.
PDT, AVANTE E MDB
Entre os aliados do governo, o PDT, agora junto com PRD, aparece fortalecido e pode alcançar até seis cadeiras. O Avante, mesmo sem fundo eleitoral e tempo de televisão, montou chapa competitiva e deve garantir cerca de cinco vagas. Já o MDB deve ampliar sua bancada, atualmente com dois deputados, para três.
OPOSIÇÃO ESTRUTURADA
O União Brasil adotou uma estratégia de concentração de nomes mais competitivos e fortalecimento da rabada. Chapa completa e nada de candidato com menos de 2 mil votos. A meta interna é alcançar até 13 cadeiras. Entre os principais nomes estão Elinaldo Araújo, Pedro Tavares, Sandro Régis e Hassan de Zé Cocá. Há ainda a expectativa de eleger pelo menos um vereador de Salvador: Marcelle Moraes e Paulinho Magalhães tem chances reais de chegar ao Parlamento estadual.
A FORÇA DO CONSERVADORISMO
O Partido Liberal também aparece como uma das apostas para renovação, com nomes como Samuel Júnior, Jânio Natal Júnior e Igor Dominguez, além de Cezar Leite, Soldado Prisco, Diego Castro, Paulo Câmara, Cíntia Marabá, Tenóbio, Coronel França e Bocka Pinxain. Os votos de legenda impulsionados por Flávio Bolsonaro e João Roma podem cair por gravidade. A projeção interna é de até sete vagas.
OUTROS PARTIDOS
O Republicanos deve ampliar para quatro deputados. Entre os nomes mais citados estão Angelo Filho, Thiago Gileno, José de Arimateia e Jurailton Santos.
O PSDB, sob liderança de Adolfo Viana e Carlos Muniz, também aparece organizado, com nomes como Tiago Correia e Jordávio Ramos, além de Rodrigo Hagge, Anderson Ninho, Luizinho Sobral, Colbert Martins e Pastor Luciano. Deve eleger quatro.
GOVERNO X OPOSIÇÃO
Por fim, a base governista deve eleger pelo menos 35 deputados, a oposição caminha para garantir 27 ou 28 e o independente PSOL mira 1 ou 2 vagas.
O tempo dirá se a estimativa, baseada no histórico eleitoral, nas nominatas, no comportamento e no humor do eleitor, além do desempenho recente dos candidatos, vai se confirmar.
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